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Mobilidade elétrica

O mercado de veículos elétricos no Brasil em números (2026)

Mercado de veículos elétricos no Brasil: 223.912 eletrificados em 2025 (+26%) e recorde de 35.356 em março de 2026 (+146%). Emplacamentos, marcas e projeções.

Silvio de Freitas11 min de leitura
Frota de veículos elétricos estacionados em carregadores urbanos, com painéis de recarga iluminados ao fundo, representando o crescimento do mercado de mobilidade elétrica no Brasil.

Em março de 2026, o Brasil registrou 35.356 emplacamentos de veículos eletrificados em um único mês, alta de 146% sobre o mesmo período de 2025, novo recorde histórico do segmento (ABVE e Primo Auto, 2026). O número não é pico isolado. É o resultado de um ciclo de três anos de crescimento estrutural que transformou o Brasil no maior mercado de veículos elétricos da América Latina.

Este artigo reúne, em um só lugar, os dados de emplacamentos de 2025, o ritmo de 2026, as marcas e modelos que lideram o mercado, o estado atual da infraestrutura de recarga e o que os números indicam para quem vende soluções de mobilidade elétrica.

Em resumo

  • Em 2025, o Brasil emplacou 223.912 veículos eletrificados, alta de 26% sobre 2024, com PHEVs em 45% e BEVs em 36% do total (ABVE, 2026).
  • Março de 2026 bateu recorde histórico com 35.356 eletrificados em um mês, alta de 146% sobre março de 2025 (ABVE e Primo Auto, 2026).
  • A rede de eletropostos chegou a 21.061 pontos em fevereiro de 2026 (+42% no ano), mas a relação de 19,6 veículos por ponto ainda está quase no dobro do índice ideal de 10 por 1 (ABVE, 2026).

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Quantos veículos elétricos foram vendidos no Brasil em 2025?

Em 2025, o mercado de veículos eletrificados no Brasil registrou 223.912 emplacamentos, alta de 26% sobre os 177.779 de 2024, crescendo 10 vezes mais rápido do que o segmento automotivo geral no período (ABVE, 2026). O resultado consolida o eletrificado como a categoria que mais cresce no varejo automotivo brasileiro.

A composição por tipo de powertrain mostra que o mercado ainda é impulsionado pelos híbridos plug-in (PHEVs): 101.364 unidades, 45% do total. Os veículos elétricos a bateria pura (BEVs) somaram 80.178, participação de 36%. Os híbridos leves e convencionais (HEV e MHEV) completaram os 19% restantes.

O dado de composição importa por uma razão prática. PHEVs têm autonomia elétrica limitada (geralmente 50-80 km) e dependem mais do combustível em rodovias. BEVs demandam recarga regular, o que aumenta a necessidade de infraestrutura. A crescente fatia de BEVs puxa a demanda por eletropostos e por carregadores residenciais com mais força a cada ano.

Emplacamentos de veículos eletrificados no Brasil: 2022 a 20252022202320242025~90 mil~118 mil177,8 mil223,9 milFonte: ABVE, 2026
Emplacamentos anuais de veículos eletrificados no Brasil (2022-2025). Fonte: ABVE, 2026.

O crescimento de 2022 a 2025 (de cerca de 90 mil para 223.912 unidades) indica uma trajetória sustentada, não um salto pontual. O mercado mais do que dobrou em dois anos, e o ritmo de 2026 sugere que o patamar de 2025 será superado ainda no primeiro semestre do ano.

O boom de 2026: recorde a cada mês

Os três primeiros meses de 2026 mostram um mercado em aceleração ainda mais intensa. Em janeiro, foram 23.706 emplacamentos. Em fevereiro, 24.885, alta de 92% sobre fevereiro de 2025. Em março, 35.356 unidades, novo recorde histórico com crescimento de 146% sobre março de 2025 (ABVE e Primo Auto, 2026).

Esse ritmo não é pico esporádico. Dois fatores estruturais explicam o comportamento:

Primeiro, a oferta se expandiu de forma relevante. Montadoras chinesas como BYD e GWM ampliaram linha e aumentaram estoques no Brasil. O impacto é direto no preço médio, que vem caindo com mais opções abaixo de R$ 150 mil.

Segundo, o programa Move Brasil, lançado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC, 2026), disponibiliza até R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo adquirirem veículos novos, incluindo eletrificados, com taxa subsidiada de 11,5% a 12,6% ao ano. O programa eletrifica a frota profissional a um custo que antes inviabilizaria a adesão.

Emplacamentos mensais de eletrificados: jan-mar 2025 versus jan-mar 2026JanJanFevFevMarMar~12k23.706~13k24.885~14k35.35620252026Fonte: ABVE e Primo Auto, 2026
Comparativo de emplacamentos mensais: janeiro a março de 2025 versus 2026. Fonte: ABVE e Primo Auto, 2026.

A ABVE projeta entre 280 mil e 300 mil emplacamentos de eletrificados para o ano fechado de 2026, crescimento de 25% a 34% sobre 2025 (Reconecta News e ABVE, 2026). Se o ritmo do primeiro trimestre se mantiver, o mercado pode alcançar ou superar o teto da projeção antes de dezembro.

Quais marcas e modelos lideram o mercado de veículos elétricos no Brasil?

O mercado brasileiro de eletrificados é dominado por marcas chinesas no segmento BEV e por modelos asiáticos e europeus no segmento PHEV. Em 2025, o BYD consolidou a liderança entre os veículos elétricos a bateria pura, enquanto os PHEVs de GWM, Chery e Toyota sustentaram a fatia mais volumosa do mercado. Os números detalhados por modelo devem ser conferidos na base ABVE Data e no Fenabrave, fontes setoriais de referência.

O BYD Sea Lion 6, o BYD Dolphin e o Haval H6 PHEV da GWM estiveram entre os modelos mais emplacados no período. Montadoras japonesas como Toyota mantiveram relevância pelo volume de híbridos convencionais (HEV), principalmente o Corolla Cross. A oferta de PHEVs com maior autonomia elétrica cresce a cada semestre, pressionando para baixo o preço médio por unidade.

Um fator relevante para a competitividade dos importados é o regime de IPI reduzido para eletrificados, vigente por decisão federal e que torna viável trazer modelos com preço final abaixo de R$ 150 mil. Essa janela de incentivo está diretamente ligada ao salto de emplacamentos de 2025 para 2026.

Do ponto de vista de quem vende infraestrutura de recarga, o segmento mais relevante é o BEV puro: 80.178 unidades vendidas em 2025, cada uma com necessidade de recarga regular e crescente demanda por wallbox residencial. O PHEV também gera demanda, mas em menor intensidade por ter autonomia elétrica limitada.

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Como está a infraestrutura de recarga no Brasil?

Em fevereiro de 2026, o Brasil contava com 21.061 eletropostos em 1.649 municípios, alta de 42% sobre os 14.827 pontos registrados em fevereiro de 2025 (ABVE, 2026). A recarga rápida em corrente contínua (DC) cresceu 167% em 12 meses e já representa 31% da rede pública, enquanto a recarga AC (lenta) responde pelos 69% restantes.

A rede de eletropostos avança mais rápido em termos percentuais do que a frota. Em um ano, os pontos de recarga cresceram 42%, enquanto a frota de eletrificados cresceu 26% em 2025. Isso parece positivo, mas o ponto de partida importa. A relação atual é de 19,6 veículos plug-in por ponto público, quase o dobro do índice de 10 por 1 considerado adequado para garantir conforto ao motorista.

Composição da rede pública de recarga no Brasil: 31% DC rápida e 69% AC lenta31%DC rápidaDC rápida (31%) - +167% a/aAC lenta (69%)Total: 21.061 eletropostos em 1.649 municípios. Fonte: ABVE, fev/2026.
Composição da rede pública de recarga no Brasil em fevereiro de 2026. Fonte: ABVE, 2026.

A distribuição geográfica também é desigual. A maioria dos eletropostos está concentrada no Sudeste, deixando Nordeste, Norte e Centro-Oeste com cobertura ainda fragmentada. São Paulo lidera, mas mesmo na capital paulista o número de pontos por bairro é irregular.

Um ponto regulatório relevante: a lei estadual SP 18.403/2026 garante aos condôminos o direito de instalar carregador individual em vaga de garagem, removendo um bloqueio que antes dependia da aprovação do condomínio. A legislação deve acelerar a instalação de wallboxes residenciais no estado mais populoso do Brasil.

O narrativa do "Brasil está atrasado" em infraestrutura de recarga merece nuance. A rede cresce mais rápido do que a frota em pontos percentuais. O gargalo real não é o ritmo de expansão dos eletropostos, é o acesso do consumidor ao carregador próprio, residencial ou comercial, no momento da compra do veículo. Sem crédito disponível no fechamento da venda, o carregador fica para depois, e "depois" frequentemente não acontece.

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O que os dados indicam para o mercado em 2026?

A ABVE projeta 280 mil a 300 mil emplacamentos de eletrificados em 2026, alta de 25% a 34% sobre os 223.912 de 2025 (Reconecta News e ABVE, 2026). Três vetores sustentam a projeção:

Move Brasil. O programa federal destina até R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem veículo novo, incluindo eletrificados, com taxa de 11,5% a 12,6% ao ano (MDIC, 2026). A frota profissional é grande, roda muito e se beneficia diretamente de custo menor de combustível. A demanda por eletrificados nessa frota deve crescer de forma acelerada.

Expansão de oferta. Novas versões de modelos populares como BYD Dolphin e variantes da GWM chegam com preço abaixo de R$ 150 mil, ampliando o universo de compradores potenciais. Quanto mais modelos nessa faixa, maior o volume.

Contexto global. O Brasil ainda tem participação baixa de eletrificados no total de emplacamentos, abaixo de 5% do mercado total. A China já supera 50% e a Europa chegou a cerca de 20%. O espaço para crescimento no Brasil é amplo, e o mercado nacional tem o maior potencial da América Latina para absorver esse crescimento.

O que esses números significam para quem vende infraestrutura de recarga?

Cada veículo eletrificado vendido cria demanda latente por pelo menos um ponto de recarga próprio. Com 223.912 eletrificados emplacados apenas em 2025 e uma relação de 19,6 veículos por eletroposto público, o mercado de infraestrutura de recarga tem demanda imediata que o parque público não atende.

O carregador residencial não é opcional para quem usa o veículo diariamente. O eletroposto público é conveniente para viagens, mas a rotina de recarga acontece em casa ou no trabalho. O problema: o carregador residencial (wallbox) tem custo de equipamento mais instalação que, sem crédito, o comprador do veículo frequentemente adia.

É aqui que o crédito no ponto de venda muda o jogo para distribuidores e marketplaces de carregadores. Quando o cliente decide pelo veículo e percebe que precisa do wallbox, o fechamento de ambos na mesma venda só acontece se o crédito estiver disponível na hora. Sem crédito no fechamento, o carregador vira uma compra separada que pode demorar meses.

A Eos é uma fintech de crédito com mais de R$ 19 bilhões originados desde 2021. Ela concede crédito diretamente no ponto de venda do parceiro (marketplace, distribuidor ou loja de carregadores de veículos elétricos), com decisão ágil e contratação digital. O parceiro oferece o crédito no fechamento, o cliente contrata ali mesmo, e a venda do carregador acontece junto com a do veículo.

Para aprofundar como funciona o crédito no ponto de venda nessa vertical, veja também o guia completo de financiamento para mobilidade elétrica no Brasil e o passo a passo de como financiar um carregador de veículo elétrico.

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Perguntas frequentes

Quantos veículos elétricos foram vendidos no Brasil em 2025?

Foram 223.912 veículos eletrificados emplacados em 2025, alta de 26% sobre os 177.779 de 2024. Os PHEVs representaram 45% (101.364 unidades) e os BEVs, 36% (80.178). O segmento cresceu 10 vezes mais rápido do que o mercado automotivo geral (ABVE, 2026).

Qual é a previsão de emplacamentos de eletrificados em 2026?

A ABVE projeta entre 280 mil e 300 mil emplacamentos em 2026, impulsionados pelo programa Move Brasil (R$ 30 bilhões em crédito subsidiado para taxistas e motoristas de aplicativo) e pela expansão da oferta de modelos abaixo de R$ 150 mil (Reconecta News e ABVE, 2026).

Quantos eletropostos existem no Brasil em 2026?

Em fevereiro de 2026, o Brasil contava com 21.061 eletropostos em 1.649 municípios, alta de 42% sobre fevereiro de 2025. A recarga rápida DC cresceu 167% em 12 meses e já representa 31% da rede pública (ABVE, 2026).

O Brasil tem infraestrutura de recarga suficiente?

Ainda não. A relação de 19,6 veículos plug-in por eletroposto público em fevereiro de 2026 está quase no dobro do índice ideal de 10 por 1. O carregador residencial continua sendo a solução mais prática para quem usa o veículo no dia a dia (ABVE, 2026).

Como financiar um carregador de veículo elétrico no Brasil?

Marketplaces, distribuidores e lojas de carregadores que sejam parceiros da Eos podem oferecer crédito direto no fechamento, com aprovação em minutos. Para o comprador, o carregador entra junto com o veículo, sem precisar buscar crédito em banco. Veja o guia completo em como financiar um carregador de veículo elétrico.

Conclusão

O mercado de veículos elétricos no Brasil entrou em 2026 em ritmo de aceleração histórica. Foram 223.912 eletrificados em 2025, +26% sobre 2024. Março de 2026 registrou 35.356 unidades em um mês, +146% no comparativo anual. A projeção da ABVE aponta para 280 mil a 300 mil emplacamentos no ano fechado.

A infraestrutura de recarga cresce (21.061 eletropostos, +42% em um ano), mas o gap de 19,6 veículos por ponto público mantém o carregador residencial como necessidade real, não acessório. Isso cria oportunidade direta para marketplaces, distribuidores e lojas de carregadores de veículos elétricos que queiram oferecer crédito no fechamento da venda.

O veículo, o carregador e a bateria de armazenamento formam um ecossistema. O cliente que compra o veículo precisa da infraestrutura de recarga. A pergunta para quem vende essa infraestrutura é: o crédito está disponível na hora do fechamento?

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Fontes

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