Inclusão financeira: como o crédito no PDV alcança quem não tem cartão
No Brasil, 35,3 milhões de adultos não têm nenhum registro de crédito no CPF. Veja os dados sobre inclusão financeira e como o crédito direto no ponto de venda alcança quem o cartão não atende.

O cliente está no balcão, quer comprar e o cartão não passa. Não é falta de dinheiro: é falta de limite, de histórico, ou das duas coisas. No Brasil, isso não é exceção. É a realidade de 35,3 milhões de adultos que não têm nenhum registro de crédito no CPF, segundo estudo inédito da Serasa Experian.
Esse número tem um nome técnico, thin file, e uma implicação prática: o sistema de crédito tradicional decide por histórico, e quem nunca usou crédito, mesmo sendo bom pagador, fica de fora. Este artigo reúne os dados sobre quem é essa população e como o crédito concedido diretamente no ponto de venda usa outras fontes de informação para incluir quem o cartão não alcança.
Em resumo
- 35,3 milhões de brasileiros (21,7% da população adulta) não têm nenhum registro de crédito no CPF; 80,5% desse grupo não está negativado, apenas invisível ao sistema (Serasa Experian, 2026).
- "Desbancarizado" e "sem histórico de crédito" são categorias diferentes, e a confusão entre elas atrapalha o desenho de soluções de inclusão.
- O crédito no ponto de venda usa Open Finance e dados de comportamento para decidir em minutos, sem depender só do histórico de bureau.
- Quando a inclusão chega ao varejo, o efeito aparece na conversão: o ticket médio do crediário digital subiu 21% no primeiro bimestre de 2026 (Acelera Varejo, 2026).
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Quantos brasileiros ainda estão fora do crédito?
Em 2026, 35,3 milhões de brasileiros adultos, 21,7% da população nessa faixa, não têm nenhum registro de crédito vinculado ao CPF: nem financiamento, nem cartão, nem fatura, nem cadastro no Cadastro Positivo, de acordo com estudo inédito da Serasa Experian. São pessoas fora do radar da análise de crédito tradicional, não porque deram errado, mas porque nunca entraram no jogo.
O dado mais importante do estudo é outro: 80,5% desse grupo não está negativado. Ou seja, oito em cada dez pessoas sem histórico não são maus pagadores. Elas simplesmente nunca usaram crédito o bastante para gerar um rastro, seja por opção, por renda baixa, seja por não terem tido oportunidade.
Vale separar dois conceitos que a imprensa costuma misturar. Desbancarizado é quem não tem conta bancária, ou quase não movimenta a que tem: cerca de 34 milhões de pessoas no Brasil, segundo o Instituto Locomotiva. Já o thin file é quem tem conta, às vezes até cartão, mas nunca usou crédito o suficiente para construir histórico. São grupos que se sobrepõem em parte, mas não são a mesma coisa, e essa distinção importa para quem desenha crédito de inclusão.
A boa notícia é que a bancarização em si avançou bastante. Segundo o Banco Central, 96,4% da população adulta, 175 milhões de pessoas, já tem algum tipo de conta em 2024. O problema não é mais ter conta: é ter crédito, ou ter renda para movimentar essa conta de forma ativa. Apenas cerca de 88% (160,8 milhões) são usuários realmente ativos do sistema financeiro.
Quem fica fora do crédito tradicional?
Quem fica fora do crédito tradicional é, majoritariamente, quem trabalha na informalidade e quem já comprometeu o limite disponível no cartão. No primeiro trimestre de 2026, a informalidade ficou em torno de 37% da população ocupada, cerca de 38 milhões de trabalhadores, segundo dados do IBGE compilados pela Agência Brasil.
A informalidade pesa porque a análise de crédito bancária tradicional depende de comprovação de renda formal. Sem holerite ou carteira assinada, o trabalhador autônomo ou informal esbarra em uma barreira burocrática, mesmo tendo renda estável e capacidade real de pagar.
O outro lado da exclusão está em quem já tem cartão, mas não tem mais espaço nele. O comprometimento médio de renda com cartão de crédito subiu de 38,5% em 2020 para 54% em 2024, e o país já soma mais de 220 milhões de cartões ativos, mais cartões do que habitantes, segundo dados do Banco Central citados pela Forbes Brasil. Ter cartão, hoje, não é garantia de ter limite disponível na hora da compra.
Nosso ponto de vista: boa parte da cobertura de imprensa trata "sem acesso a crédito" como um bloco único. Na prática, são pelo menos três grupos distintos: quem não tem histórico (thin file), quem não tem conta ativa (desbancarizado) e quem tem cartão, mas está sem limite. Cada grupo pede um mecanismo diferente de inclusão, e tratar todos como iguais é o motivo pelo qual soluções genéricas costumam falhar.
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Como o crédito no PDV chega a quem o banco não alcança?
O crédito concedido diretamente no ponto de venda usa dados de Open Finance e comportamento de compra, e não apenas o histórico tradicional de bureau, para decidir em minutos. Isso muda o resultado para quem tem thin file: a análise deixa de perguntar só "qual é o seu histórico" e passa a perguntar "qual é a sua renda e o seu comportamento financeiro real, hoje".
O mecanismo depende de infraestrutura que amadureceu rápido no Brasil. Os consentimentos ativos de Open Finance saltaram de 43 milhões em janeiro de 2024 para 62 milhões em janeiro de 2025, alta de 44% em doze meses, e o ecossistema já soma mais de 100 milhões de clientes, segundo a FEBRABAN.
Na prática, com o consentimento do cliente no fechamento da venda, a plataforma consulta o histórico financeiro real dele, entradas, saídas, regularidade de pagamento, e decide sem depender só do que está registrado nos birôs de crédito. É essa camada de dado que enxerga o motoboy autônomo, a cabeleireira informal ou o jovem que nunca teve cartão, mas paga contas em dia todo mês. Para entender a base técnica desse fluxo, vale conhecer a arquitetura de crédito embarcado no varejo que sustenta esse tipo de decisão.
A inclusão financeira aumenta o acesso sem aumentar o risco?
Sim, e os dados do próprio setor de crédito digital mostram isso. Em 2025, 77% das fintechs de crédito já aceitavam algum tipo de garantia na análise, contra apenas 34% em 2021, segundo a pesquisa Fintechs de Crédito Digital da PwC. O setor amadureceu o critério de risco na mesma velocidade em que ampliou o alcance.
Isso responde a uma dúvida comum: incluir quem não tem histórico significa aprovar sem critério? Não. Significa trocar a fonte da decisão. Em vez de olhar só um número de bureau, a análise combina múltiplas variáveis, renda real via Open Finance, comportamento de pagamento, consistência de fluxo, o que permite aprovar perfis com thin file sem abrir mão de rigor técnico.
No modelo de crédito direto, quem concede o crédito também assume o risco da análise. É diferente do crediário tradicional da loja, em que o próprio parceiro carrega a inadimplência. Para quem quer entender essas diferenças na prática, a comparação entre crédito no PDV, cartão e crediário detalha cada modalidade.
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O que os dados dizem sobre o efeito no varejo?
Quando o crédito alcança quem estava fora do cartão, o efeito aparece direto no ticket médio e na conversão. O ticket médio do crediário digital subiu 21% no primeiro bimestre de 2026, de R$ 1.481 para R$ 1.806, segundo dados do Acelera Varejo. O crédito não fica restrito a compras pequenas: ele passa a sustentar tickets mais altos.
Esse movimento acompanha um público que já usa parcelamento com frequência, mas nem sempre pelo cartão. Cerca de 68,7 milhões de brasileiros tinham compras parceladas em andamento no início de 2025, segundo o CNDL/SPC Brasil, muitos deles usando linhas fora do cartão tradicional justamente por falta de limite.
Para o varejo parceiro, seja de celulares, de sistemas solares ou de carregadores de veículos elétricos, a lógica é a mesma: alcançar quem o cartão não atende não é caridade, é venda recuperada. O efeito do crédito a prazo no ticket médio já é mensurável em vários segmentos, e a inclusão financeira é o motor por trás desse número.
Perguntas frequentes
O que é inclusão financeira?
É o acesso efetivo de uma pessoa a produtos financeiros formais, como conta, crédito e meios de pagamento, com uso real, não apenas cadastro. O Banco Central usa esse critério para medir cidadania financeira: 96,4% dos adultos têm conta, mas só cerca de 88% usam esses serviços de forma ativa (Banco Central, 2024).
Quantos brasileiros não têm acesso a crédito?
Em 2026, 35,3 milhões de adultos brasileiros (21,7% da população adulta) não têm nenhum registro de crédito no CPF, nem no Cadastro Positivo, segundo a Serasa Experian. A maioria não é inadimplente: 80,5% desse grupo simplesmente nunca teve histórico registrado, o que os torna invisíveis à análise de crédito tradicional (Serasa Experian, 2026).
Qual a diferença entre estar desbancarizado e não ter histórico de crédito (thin file)?
Desbancarizado é quem não tem conta ou quase não a movimenta, cerca de 34 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Locomotiva. Thin file é quem tem conta, mas nunca usou crédito o suficiente para gerar histórico, 35,3 milhões de pessoas (Serasa Experian, 2026). São grupos parcialmente sobrepostos, mas distintos.
Como o crédito no ponto de venda ajuda quem não tem cartão?
Ele usa dados de Open Finance e comportamento de compra, com consentimento do cliente, em vez de depender só do histórico de bureau. O ecossistema de Open Finance já soma mais de 62 milhões de consentimentos ativos, alta de 44% em um ano (FEBRABAN, 2025), o que viabiliza aprovação em minutos mesmo sem histórico tradicional.
O crédito no varejo é uma forma de inclusão financeira?
Sim, quando amplia o acesso sem abandonar o critério de risco. Em 2025, 77% das fintechs de crédito já aceitavam garantias na análise, ante 34% em 2021 (PwC, 2025), sinal de que o setor cresceu a aprovação sem abrir mão de rigor técnico.
Conclusão
O Brasil bancarizou quase toda a população adulta, mas bancarização não é inclusão. Inclusão é ter crédito quando falta ao cartão. É isso que os dados mostram: 35,3 milhões de pessoas fora do histórico de crédito, a maioria delas bons pagadores invisíveis ao sistema.
Os pontos centrais:
- Escala do problema: 35,3 milhões de brasileiros em thin file, 34 milhões desbancarizados, grupos distintos que pedem soluções distintas.
- Mecanismo de inclusão: Open Finance e análise por dados de comportamento, não apenas histórico de bureau, decidindo em minutos.
- Efeito prático: ticket médio do crediário subiu 21% no início de 2026, prova de que incluir quem o cartão não atende também move o varejo.
Para integradores, distribuidores, lojas de celulares e marketplaces, oferecer crédito direto no fechamento é a forma mais concreta de levar inclusão financeira ao próprio balcão de vendas, sem carregar o risco da análise.
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Fontes
- Serasa Experian, "Mais de 35 milhões de brasileiros são invisíveis aos serviços financeiros", consultado em 28/07/2026, https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/responsabilidade-corporativa/mais-de-35-milhoes-de-brasileiros-sao-invisiveis-aos-servicos-financeiros-revela-estudo-inedito-da-serasa-experian/
- Instituto Locomotiva, "34 milhões de brasileiros não têm acesso a serviços bancários", consultado em 28/07/2026, https://ilocomotiva.com.br/clipping/labs-news-34-milhoes-de-brasileiros-nao-tem-acesso-a-servicos-bancarios/
- Banco Central do Brasil (via Poder360), "Bancarização atinge 96,4% da população brasileira, diz BC", consultado em 28/07/2026, https://www.poder360.com.br/poder-economia/bancarizacao-atinge-964-da-populacao-brasileira-diz-bc/
- IBGE, PNAD Contínua (via Agência Brasil), "Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE", consultado em 28/07/2026, https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/taxa-de-informalidade-cai-no-mercado-de-trabalho-mostra-ibge
- Banco Central do Brasil (via Forbes Brasil), "BC vê problema crescente de superendividamento", consultado em 28/07/2026, https://forbes.com.br/forbes-money/2026/04/bc-ve-problema-crescente-de-superendividamento-e-aponta-disparada-em-emprestimos-sem-garantia-e-cartao-de-credito/
- FEBRABAN, "Em 4 anos de Open Finance no Brasil, consentimentos chegam a 62 milhões", consultado em 28/07/2026, https://portal.febraban.org.br/noticia/4253/pt-br
- PwC, "Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025", consultado em 28/07/2026, https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividade/financeiro/2025/pesquisa-fintechs-de-credito-digital-2025.html
- Acelera Varejo, "Ticket médio do crediário cresce 21% no início de 2026", consultado em 28/07/2026, https://www.aceleravarejo.com.br/home-destaque/ticket-medio-do-crediario-cresce/
- CNDL/SPC Brasil, "69 milhões de consumidores possuem compras parceladas", consultado em 28/07/2026, https://cndl.org.br/varejosa/69-milhoes-de-consumidores-possuem-compras-parceladas-aponta-cndl-spc-brasil/


