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Fintech e crédito

CET, juros e parcelas: como entender o custo de um financiamento

CET (Custo Efetivo Total) reúne juros, IOF, tarifas e seguros em um único percentual, e sua divulgação é obrigatória por lei antes da contratação. Veja o que ele inclui e como calcular a parcela.

Ivan Costa8 min de leitura
Pessoa analisando uma proposta de financiamento em um tablet, com calculadora ao lado, comparando taxas e parcelas.

Antes de qualquer contrato de crédito no Brasil, a lei obriga a instituição financeira a informar o CET. Ainda assim, boa parte dos consumidores compara propostas pela taxa de juros anunciada e ignora esse número, pagando mais sem perceber. É o erro mais comum de quem financia um sistema solar, um celular, um carregador ou um veículo elétrico.

Este artigo explica o que é o CET, o que entra no seu cálculo, em que ele difere da taxa de juros nominal e como calcular a parcela de um financiamento. Ao final, fica claro qual número olhar antes de assinar qualquer proposta.

Em resumo

  • CET (Custo Efetivo Total) é o percentual que soma juros, IOF, tarifas e seguros de um financiamento em um único número.
  • Por lei (Resolução CMN nº 4.881/2020), toda instituição financeira deve informar o CET antes da contratação, inclusive para MEI e pequenas empresas (Banco Central do Brasil, 2020).
  • Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter CET diferente quando uma embute seguro prestamista e a outra não.
  • A parcela final depende do sistema de amortização, Price ou SAC, e da taxa efetiva aplicada no mesmo período do pagamento.

É integrador, distribuidor, loja de celulares ou marketplace? Mostre o CET certo ao cliente na hora do fechamento.

O que é CET (Custo Efetivo Total)?

CET é o percentual anual que soma todos os custos de uma operação de crédito: juros, IOF, tarifas administrativas e seguros, quando houver. Desde a Resolução CMN nº 4.881/2020, do Banco Central do Brasil, a divulgação do CET antes da contratação é obrigatória para qualquer instituição financeira que conceda crédito a pessoa física.

A norma existe porque a taxa de juros isolada não representa o custo real de um contrato. Duas ofertas com taxa parecida podem custar valores bem diferentes no fim do prazo, e o CET é o número desenhado para eliminar essa distorção: ele já embute tudo, então comparar CET com CET é comparar maçã com maçã.

A obrigatoriedade também alcança quem contrata como MEI ou pequena empresa enquadrada como consumidor, não só a pessoa física (Resolução CMN nº 4.881/2020, Banco Central do Brasil). Isso cobre boa parte de quem financia energia solar, carregadores de veículos elétricos ou equipamentos usando CNPJ.

O que entra no cálculo do CET?

O CET reúne juros, IOF, tarifas de cadastro e seguro prestamista, quando ele existir, além de qualquer outro encargo vinculado ao contrato, conforme os componentes definidos na Resolução CMN nº 4.881/2020 do Banco Central do Brasil. Nem todo item é obrigatório: o seguro, por exemplo, pode ou não estar embutido na proposta.

Essa diferença explica boa parte da confusão do consumidor. Um item obrigatório, como o IOF, aparece em qualquer contrato de crédito e pesa pouco isolado. Um item opcional, como o seguro prestamista, muda o CET de forma bem mais expressiva, e nem sempre fica claro para quem lê a proposta.

Composição do CET: proposta enxuta x proposta com seguro0%10%20%30%Proposta enxutaCET 24% a.a.Proposta com seguroCET 31% a.a.JurosIOFTarifasSeguro
Exemplo ilustrativo com taxa nominal igual nas duas propostas. Fonte: elaboração Eos com base nos componentes da Resolução CMN nº 4.881/2020.

O gráfico mostra o efeito prático: mesmo com juros, IOF e tarifas idênticos, a proposta com seguro prestamista embutido sai com CET quase 7 pontos percentuais mais alto. Nenhum dos dois números está errado, mas só o CET revela isso de forma comparável.

Qual a diferença entre CET e taxa de juros nominal?

A taxa nominal remunera apenas o capital emprestado. O CET reflete o custo total real do contrato, somando tudo o que a taxa nominal deixa de fora. Por isso duas ofertas com a mesma taxa nominal mensal podem custar valores bem diferentes ao final do prazo.

Nossa simulação: em um financiamento de R$ 15.000 em 24 meses, com taxa nominal de 1,9% a.m. nas duas propostas, uma sem seguro fecha com CET de 26% a.a. e total pago de R$ 18.200. A mesma taxa nominal, com seguro prestamista embutido, sobe para CET de 33% a.a. e total pago de R$ 19.850, uma diferença de R$ 1.650 que a taxa nominal isolada nunca mostraria.

Essa distância importa mais em contratos curtos. Tarifas e seguros costumam ser valores fixos, cobrados uma vez ou distribuídos em poucas parcelas, então pesam proporcionalmente mais quando o prazo é curto do que quando ele se estende por vários anos. É por isso que comparar apenas a taxa mensal engana justamente quem financia a prazos mais curtos.

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Como calcular a parcela de um financiamento?

A parcela de um financiamento depende do sistema de amortização, Price ou SAC, e da taxa efetiva aplicada no mesmo período do pagamento. No sistema Price, a parcela é constante do início ao fim do contrato. No SAC, a amortização é fixa e os juros caem mês a mês, então a parcela começa maior e diminui ao longo do prazo.

Na prática, isso muda o desenho do fluxo de caixa do cliente. Quem prefere previsibilidade mensal tende a preferir Price. Quem pode pagar mais no início e planeja quitar antes do prazo final costuma se beneficiar mais do SAC, porque o saldo devedor cai mais rápido.

Evolução da parcela: Price (constante) x SAC (decrescente)R$1.600R$1.850R$2.100SACPriceMês do contrato (1 a 12)
Exemplo ilustrativo de financiamento de R$ 20.000 em 12 meses. A parcela real depende da taxa efetiva contratada e do saldo devedor em cada sistema.

Repare que as duas linhas partem da mesma taxa e do mesmo valor financiado. A diferença nasce só da forma de amortizar: no SAC, a parcela cai mês a mês porque os juros incidem sobre um saldo devedor cada vez menor; no Price, ela permanece igual porque o cálculo recompõe a proporção entre juros e amortização para manter o valor fixo.

CET alto sempre significa contrato ruim?

Não necessariamente. O CET varia conforme o prazo, a garantia exigida e o que está embutido na proposta, como seguro ou tarifas específicas. O que importa não é o número isolado, e sim comparar CET com CET entre propostas de prazo e condições equivalentes.

O erro comum é comparar o CET de um contrato de 12 meses com o de outro de 48 meses e concluir que o primeiro é mais caro. Como custos fixos pesam mais em prazos curtos, essa comparação distorce a leitura. A regra prática é simples: só compare CET entre propostas com prazo e finalidade parecidos, e desconfie de qualquer comparação que ignore essa condição.

Como comparar propostas de crédito na prática

Na prática, peça sempre três informações antes de assinar: o CET anual, o valor total pago ao final do contrato e se há seguro ou tarifa opcional embutida na proposta. Qualquer instituição séria fornece esses três dados sem resistência, porque a divulgação é exigida por lei.

Isso vale para qualquer segmento, e o contraste entre eles ajuda a entender por que comparar CET, não taxa isolada, é o que importa. No crédito de mobilidade, por exemplo, linhas específicas para veículos elétricos partem de cerca de 8,73% a.a., contra uma média de 26,50% a.a. em veículos convencionais, segundo dado consolidado da Creditas, 2026. Já no financiamento de veículo convencional, a taxa mensal costuma girar em torno de 4% a.m., também segundo a Creditas, o que reforça como a modalidade e a garantia do bem financiado mudam o custo final de forma relevante.

Na tela de simulação da plataforma de crédito para energia solar e demais soluções da Eos, o parceiro vê CET, taxa nominal, prazo e carência lado a lado no momento do fechamento, sem precisar calcular nada manualmente. Isso permite ao integrador fotovoltaico, à loja de celulares ou ao marketplace de carregadores mostrar o número certo ao cliente na hora da venda, em vez de deixar essa dúvida para depois.

Para aprofundar cada etapa do contrato, veja também o glossário de financiamento solar, o guia de financiamento solar sem entrada, o crédito para financiamento de smartphone e o panorama de financiamento para mobilidade elétrica.

É integrador fotovoltaico, distribuidor, loja de celulares ou marketplace de carregadores? Cadastre sua empresa e ofereça crédito com CET claro no fechamento.

Perguntas frequentes

O que entra no cálculo do CET?

Juros, IOF, tarifas de cadastro e seguro prestamista, quando houver, além de qualquer outro encargo vinculado ao contrato. Os componentes estão definidos na Resolução CMN nº 4.881/2020, do Banco Central do Brasil, que também obriga a divulgação do CET antes da assinatura.

Qual a diferença entre CET e taxa de juros nominal?

A taxa nominal remunera apenas o capital emprestado. O CET soma juros, IOF, tarifas e seguros em um único percentual, refletindo o custo real do contrato. Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter CET diferente conforme o que está embutido nelas.

Como calcular a parcela de um financiamento?

Depende do sistema de amortização. No Price, a parcela é fixa do início ao fim. No SAC, a amortização é constante e os juros caem a cada mês, então a parcela começa maior e diminui ao longo do contrato, aplicando a taxa efetiva sobre o saldo devedor.

CET alto significa contrato ruim?

Não isoladamente. O CET varia com o prazo, a garantia e os itens embutidos na proposta, como seguro. O que importa é comparar CET com CET entre contratos de prazo e condições equivalentes, nunca a taxa nominal isolada de dois financiamentos diferentes.

A divulgação do CET é obrigatória por lei?

Sim. Pela Resolução CMN nº 4.881/2020, do Banco Central do Brasil, toda instituição financeira deve informar o CET antes da contratação de crédito, inclusive para MEI e pequenas empresas enquadradas como consumidores, não apenas para pessoa física.

Conclusão

CET é o número que compara propostas de forma justa. Taxa nominal isolada não serve para decidir, porque ela deixa de fora justamente os custos que mais pesam no total pago.

Fica o resumo prático:

  • O que é: percentual que soma juros, IOF, tarifas e seguros em um único número, com divulgação obrigatória por lei.
  • O que entra no cálculo: todos os encargos vinculados ao contrato, obrigatórios e opcionais, como o seguro prestamista.
  • Diferença para a taxa nominal: a taxa remunera só o capital; o CET mostra o custo total real.
  • Como calcular a parcela: depende do sistema de amortização, Price ou SAC, aplicado à taxa efetiva do período.
  • Como comparar: sempre CET com CET, entre propostas de prazo e condições equivalentes.

Venda com o número certo na mão: CET, taxa e parcela visíveis no fechamento.


Fontes

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