CET, juros e parcelas: como entender o custo de um financiamento
CET (Custo Efetivo Total) reúne juros, IOF, tarifas e seguros em um único percentual, e sua divulgação é obrigatória por lei antes da contratação. Veja o que ele inclui e como calcular a parcela.

Antes de qualquer contrato de crédito no Brasil, a lei obriga a instituição financeira a informar o CET. Ainda assim, boa parte dos consumidores compara propostas pela taxa de juros anunciada e ignora esse número, pagando mais sem perceber. É o erro mais comum de quem financia um sistema solar, um celular, um carregador ou um veículo elétrico.
Este artigo explica o que é o CET, o que entra no seu cálculo, em que ele difere da taxa de juros nominal e como calcular a parcela de um financiamento. Ao final, fica claro qual número olhar antes de assinar qualquer proposta.
Em resumo
- CET (Custo Efetivo Total) é o percentual que soma juros, IOF, tarifas e seguros de um financiamento em um único número.
- Por lei (Resolução CMN nº 4.881/2020), toda instituição financeira deve informar o CET antes da contratação, inclusive para MEI e pequenas empresas (Banco Central do Brasil, 2020).
- Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter CET diferente quando uma embute seguro prestamista e a outra não.
- A parcela final depende do sistema de amortização, Price ou SAC, e da taxa efetiva aplicada no mesmo período do pagamento.
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O que é CET (Custo Efetivo Total)?
CET é o percentual anual que soma todos os custos de uma operação de crédito: juros, IOF, tarifas administrativas e seguros, quando houver. Desde a Resolução CMN nº 4.881/2020, do Banco Central do Brasil, a divulgação do CET antes da contratação é obrigatória para qualquer instituição financeira que conceda crédito a pessoa física.
A norma existe porque a taxa de juros isolada não representa o custo real de um contrato. Duas ofertas com taxa parecida podem custar valores bem diferentes no fim do prazo, e o CET é o número desenhado para eliminar essa distorção: ele já embute tudo, então comparar CET com CET é comparar maçã com maçã.
A obrigatoriedade também alcança quem contrata como MEI ou pequena empresa enquadrada como consumidor, não só a pessoa física (Resolução CMN nº 4.881/2020, Banco Central do Brasil). Isso cobre boa parte de quem financia energia solar, carregadores de veículos elétricos ou equipamentos usando CNPJ.
O que entra no cálculo do CET?
O CET reúne juros, IOF, tarifas de cadastro e seguro prestamista, quando ele existir, além de qualquer outro encargo vinculado ao contrato, conforme os componentes definidos na Resolução CMN nº 4.881/2020 do Banco Central do Brasil. Nem todo item é obrigatório: o seguro, por exemplo, pode ou não estar embutido na proposta.
Essa diferença explica boa parte da confusão do consumidor. Um item obrigatório, como o IOF, aparece em qualquer contrato de crédito e pesa pouco isolado. Um item opcional, como o seguro prestamista, muda o CET de forma bem mais expressiva, e nem sempre fica claro para quem lê a proposta.
O gráfico mostra o efeito prático: mesmo com juros, IOF e tarifas idênticos, a proposta com seguro prestamista embutido sai com CET quase 7 pontos percentuais mais alto. Nenhum dos dois números está errado, mas só o CET revela isso de forma comparável.
Qual a diferença entre CET e taxa de juros nominal?
A taxa nominal remunera apenas o capital emprestado. O CET reflete o custo total real do contrato, somando tudo o que a taxa nominal deixa de fora. Por isso duas ofertas com a mesma taxa nominal mensal podem custar valores bem diferentes ao final do prazo.
Nossa simulação: em um financiamento de R$ 15.000 em 24 meses, com taxa nominal de 1,9% a.m. nas duas propostas, uma sem seguro fecha com CET de 26% a.a. e total pago de R$ 18.200. A mesma taxa nominal, com seguro prestamista embutido, sobe para CET de 33% a.a. e total pago de R$ 19.850, uma diferença de R$ 1.650 que a taxa nominal isolada nunca mostraria.
Essa distância importa mais em contratos curtos. Tarifas e seguros costumam ser valores fixos, cobrados uma vez ou distribuídos em poucas parcelas, então pesam proporcionalmente mais quando o prazo é curto do que quando ele se estende por vários anos. É por isso que comparar apenas a taxa mensal engana justamente quem financia a prazos mais curtos.
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Como calcular a parcela de um financiamento?
A parcela de um financiamento depende do sistema de amortização, Price ou SAC, e da taxa efetiva aplicada no mesmo período do pagamento. No sistema Price, a parcela é constante do início ao fim do contrato. No SAC, a amortização é fixa e os juros caem mês a mês, então a parcela começa maior e diminui ao longo do prazo.
Na prática, isso muda o desenho do fluxo de caixa do cliente. Quem prefere previsibilidade mensal tende a preferir Price. Quem pode pagar mais no início e planeja quitar antes do prazo final costuma se beneficiar mais do SAC, porque o saldo devedor cai mais rápido.
Repare que as duas linhas partem da mesma taxa e do mesmo valor financiado. A diferença nasce só da forma de amortizar: no SAC, a parcela cai mês a mês porque os juros incidem sobre um saldo devedor cada vez menor; no Price, ela permanece igual porque o cálculo recompõe a proporção entre juros e amortização para manter o valor fixo.
CET alto sempre significa contrato ruim?
Não necessariamente. O CET varia conforme o prazo, a garantia exigida e o que está embutido na proposta, como seguro ou tarifas específicas. O que importa não é o número isolado, e sim comparar CET com CET entre propostas de prazo e condições equivalentes.
O erro comum é comparar o CET de um contrato de 12 meses com o de outro de 48 meses e concluir que o primeiro é mais caro. Como custos fixos pesam mais em prazos curtos, essa comparação distorce a leitura. A regra prática é simples: só compare CET entre propostas com prazo e finalidade parecidos, e desconfie de qualquer comparação que ignore essa condição.
Como comparar propostas de crédito na prática
Na prática, peça sempre três informações antes de assinar: o CET anual, o valor total pago ao final do contrato e se há seguro ou tarifa opcional embutida na proposta. Qualquer instituição séria fornece esses três dados sem resistência, porque a divulgação é exigida por lei.
Isso vale para qualquer segmento, e o contraste entre eles ajuda a entender por que comparar CET, não taxa isolada, é o que importa. No crédito de mobilidade, por exemplo, linhas específicas para veículos elétricos partem de cerca de 8,73% a.a., contra uma média de 26,50% a.a. em veículos convencionais, segundo dado consolidado da Creditas, 2026. Já no financiamento de veículo convencional, a taxa mensal costuma girar em torno de 4% a.m., também segundo a Creditas, o que reforça como a modalidade e a garantia do bem financiado mudam o custo final de forma relevante.
Na tela de simulação da plataforma de crédito para energia solar e demais soluções da Eos, o parceiro vê CET, taxa nominal, prazo e carência lado a lado no momento do fechamento, sem precisar calcular nada manualmente. Isso permite ao integrador fotovoltaico, à loja de celulares ou ao marketplace de carregadores mostrar o número certo ao cliente na hora da venda, em vez de deixar essa dúvida para depois.
Para aprofundar cada etapa do contrato, veja também o glossário de financiamento solar, o guia de financiamento solar sem entrada, o crédito para financiamento de smartphone e o panorama de financiamento para mobilidade elétrica.
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Perguntas frequentes
O que entra no cálculo do CET?
Juros, IOF, tarifas de cadastro e seguro prestamista, quando houver, além de qualquer outro encargo vinculado ao contrato. Os componentes estão definidos na Resolução CMN nº 4.881/2020, do Banco Central do Brasil, que também obriga a divulgação do CET antes da assinatura.
Qual a diferença entre CET e taxa de juros nominal?
A taxa nominal remunera apenas o capital emprestado. O CET soma juros, IOF, tarifas e seguros em um único percentual, refletindo o custo real do contrato. Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter CET diferente conforme o que está embutido nelas.
Como calcular a parcela de um financiamento?
Depende do sistema de amortização. No Price, a parcela é fixa do início ao fim. No SAC, a amortização é constante e os juros caem a cada mês, então a parcela começa maior e diminui ao longo do contrato, aplicando a taxa efetiva sobre o saldo devedor.
CET alto significa contrato ruim?
Não isoladamente. O CET varia com o prazo, a garantia e os itens embutidos na proposta, como seguro. O que importa é comparar CET com CET entre contratos de prazo e condições equivalentes, nunca a taxa nominal isolada de dois financiamentos diferentes.
A divulgação do CET é obrigatória por lei?
Sim. Pela Resolução CMN nº 4.881/2020, do Banco Central do Brasil, toda instituição financeira deve informar o CET antes da contratação de crédito, inclusive para MEI e pequenas empresas enquadradas como consumidores, não apenas para pessoa física.
Conclusão
CET é o número que compara propostas de forma justa. Taxa nominal isolada não serve para decidir, porque ela deixa de fora justamente os custos que mais pesam no total pago.
Fica o resumo prático:
- O que é: percentual que soma juros, IOF, tarifas e seguros em um único número, com divulgação obrigatória por lei.
- O que entra no cálculo: todos os encargos vinculados ao contrato, obrigatórios e opcionais, como o seguro prestamista.
- Diferença para a taxa nominal: a taxa remunera só o capital; o CET mostra o custo total real.
- Como calcular a parcela: depende do sistema de amortização, Price ou SAC, aplicado à taxa efetiva do período.
- Como comparar: sempre CET com CET, entre propostas de prazo e condições equivalentes.
Venda com o número certo na mão: CET, taxa e parcela visíveis no fechamento.
Fontes
- Banco Central do Brasil, Resolução CMN nº 4.881/2020, consultado em 24/08/2026, https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/especialnor/Resolu%C3%A7%C3%A3o4881.pdf
- Creditas, "Taxa de juros para financiamento de veículo", consultado em 24/08/2026, https://www.creditas.com/exponencial/taxa-de-juros-financiamento-de-veiculo/


